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  • O BRASIL EH O QUE ME ENVENENA MAS EH O QUE ME CURA (LUIZ ANTONIO SIMAS)

  • Vislumbres

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    Fragmentos de textos e imagens catadas nesta tela, capturadas desta web, varridas de jornais, revistas, livros, sons, filtradas pelos olhos e ouvidos e escorrendo pelos dedos para serem derramadas sobre as teclas... e viverem eterna e instanta neamente num logradouro digital. Desagua douro de pensa mentos.


    quarta-feira, setembro 09, 2026

    Bukele, o crupiê da tirania

     

     

     O crupiê da tirania

    A idolatria a Nayib Bukele ignora fatos e é romantizada pelo reacionarismo latino-americano


    Por Gilberto Maringoni 

    Uma década depois de se tornar um dos bastiões do golpe contra Dilma Rousseff, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, consolida-se como polo aglutinador da extrema-direita brasileira. Presidida novamente por Paulo Skaf, que comandara a entidade entre 2004 e 2021, a sede na Avenida Paulista abrigou na segunda-feira 31 o chamado “Congresso Fiesp de Segurança Pública”, evento de indisfarçável caráter eleitoreiro. A estrela maior foi ­Gustavo­ Villatoro, ministro da Justiça de El Salvador, ladeado pela fina flor do reacionarismo nacional, como Sergio Moro, Guilherme Derrite e Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, entre outros.

    Apesar de contar com uma população que representa pouco mais da metade do município de São Paulo (6,6 milhões), El Salvador tornou-se uma espécie de Disneylândia do neofascismo continental. Nayib Bukele, seu descolado ditador de barba desenhada e ar de garotão, desempenha o papel de príncipe encantado da linha dura. À frente de um país em permanente estado de exceção e adepto do encarceramento em massa, incentivos a prisões sem mandados, processos judiciais coletivos, brutalidade policial e índices de aprovação na faixa de 90%, o governante detém folgada maioria parlamentar, o que lhe permitiu alterar a Constituição e a composição da Suprema Corte e conquistar o direito à reeleição indefinida.

    Um ano depois de assumir o poder, Bukele mostrou a que viera. Em fevereiro de 2020, invadiu o Congresso, onde ainda não tinha maioria, acompanhado por um destacamento militar. O motivo? A casa rejeitara um empréstimo de 109 milhões de dólares, estratégico para implementar sua política de segurança. Na ocasião, o chefe do Executivo se sentou na cadeira do presidente e ordenou o início da sessão, alegando “direito divino” para justificar seu comportamento. Por essa época, ele se definiu nas redes sociais como “o ditador mais cool do mundo”. Em julho último, o mandatário obteve de seu partido, o Nuevas Ideas, a indicação para disputar um terceiro mandato, em fevereiro.

    Na palestra proferida na Fiesp, o ministro Villatoro, num espanhol pausado e tom monocórdio, mereceu efusivas palmas ao falar por uma hora o que a plateia queria ouvir. Segundo ele, as organizações internacionais e “todos esses pseudodefensores de direitos humanos são hipócritas”. Não piscou ao definir: “O regime de exceção é simplesmente uma ferramenta constitucional para declararmos guerra a um criminoso Estado paralelo”. Em sua cerimônia de posse no cargo, há cinco anos, declarara: “Todas as leis penais e repressivas (…) estão sob revisão, precisamente para podermos responder à sede de justiça que todos os salvadorenhos têm”.

    De acordo com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, há cerca de 130 mil encarcerados, 2% da população, na maior proporção do mundo. A mesma fonte registra ao menos 500 mortes ocorridas sob custódia estatal entre fevereiro de 2022 e março de 2026. Os alvos são principalmente gangues do crime organizado.

    A face mais vistosa do regime é o Centro de Confinamento de Terrorismo (Cecot), megapenitenciária com 40 mil vagas, inaugurada no início de 2023 em Tecoluca, a 74 quilômetros da capital, São Salvador. Não há nada igual no continente, repete constantemente Bukele. Com 40 mil vagas, o complexo prisional possui sistemas de vigilância interna que impedem qualquer tipo de privacidade para os detentos, até mesmo nos sanitários. As celas coletivas, que chegam a abrigar mais de uma centena de prisioneiros cada uma, não têm janelas e os tetos são formados por grades treliçadas de aço com vãos estreitos, por onde vigilantes caminham dia e noite. Inexistem pátios, áreas externas de recreação coletiva ou banho de sol, nem espaços conjugais ou familiares. As Regras Mínimas para o Tratamento de Detentos, aprovadas em 2015 pela Assembleia-Geral da ONU, são solenemente ignoradas.

    Em seu favor, Villatoro exibe números. Em 2015, a taxa de homicídios era de 103 para cada 100 mil habitantes. Quatro anos depois, quando Bukele assumiu, o índice caiu para 35,9. Atualmente, segundo ele, o indicador é de 1,3 por 100 mil habitantes. No fim, depois da exibição de gráficos e vídeos, aos quais os jornalistas não tiveram acesso, o ministro foi aplaudido de pé.

        A política de segurança de El Salvador, de absoluto atropelo aos direitos fundamentais, é um totem da extrema-direita

    A rápida passagem de Villatoro pelo Brasil incluiu um encontro com Flávio Bolsonaro, no dia anterior, que aproveitou para derramar-se em elogios ao punitivismo comandado pelo visitante. “Tem pouco preso no Brasil, tinha que ter mais. Por isso, vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios para que ladrão de celular comece com pena de, no mínimo, oito anos de cadeia”. É indisfarçável a visão de classe na segurança pública a unir a extrema-direita continental. Mais dois candidatos ao Planalto, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, têm na república centro-americana seu modelo de Estado policial. Desde 2023, excursionaram até lá quase duas dezenas de políticos brasileiros, ansiosos por conhecer in loco o modelo de campo de concentração high tech. Entre outros, lá estiveram o ex-governador Zema, o senador Magno Malta, os deputados Flávio e Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Várias lideranças continentais do conservadorismo reaça seguem igual roteiro.

    Bukele colocou seu país ao lado dos Estados Unidos e de Israel como um dos polos irradiadores da ofensiva internacional da extrema-direita. Foi um dos destaques da reunião do Escudo das Américas, articulação comandada por Donald Trump no início de março, na Flórida. Com a presença de 12 chefes de Estado, a agenda teve como foco “uma nova iniciativa de segurança para o Hemisfério Ocidental”, o que inclui combate ao chamado “narcoterrorismo”, exercícios conjuntos das forças militares de cada país com as dos EUA e táticas para reduzir a influência da China na região.

    Segundo reportagem do New York Times de 12 de agosto, Bukele fechou um acordo com o republicano, em março do ano passado, para abrigar no Cecot imigrantes ilegais expulsos dos EUA, em troca de um pagamento de 6 milhões de dólares. Depois disso, a Casa Branca estabeleceu tratados semelhantes com outros países.

    Bukele não aplica apenas uma política de segurança pública em seu país, mas definiu um modelo de administração policial em todas as esferas do Estado. A exceção deixa de ser episódica e assenta-se sobre estruturas formalmente democráticas do Poder Público. As eleições são realizadas com regularidade, as instituições funcionam e a brutalidade é naturalizada, algo cool. Ou gourmetizada, como se poderia dizer em auditórios da Avenida Paulista. 

    CARTA CAPITAL  

    O “amor” tem preço

     

     O “amor” tem preço

    O impacto econômico do trabalho não remunerado das mulheres equivale a 8% do PIB, calcula um estudo da FGV Ibre

    Por Mariana Serafini .

    Por trás da rotina de preparar almoço, lavar a louça, limpar a casa, administrar remédios no horário certo e acompanhar filhos ou parentes mais velhos em consultas médicas, mora um motor econômico silencioso. Esse esforço é considerado uma tendência “natural” ao cuidado. Trata-se, porém, de um trabalho pesado e invisível. Não à toa, a filósofa marxista italiana Silvia Federici costuma afirmar que “o que eles chamam de amor, nós chamamos de trabalho não pago”. No Brasil, é possível estimar qual seria o impacto econômico desse “instinto materno”. Apenas as horas semanais trabalhadas pelas mulheres no cuidado doméstico e familiar, sem contar o trabalho formal ou registrado, representariam 8% do Produto Interno Bruto, estima a economista Isabel Duarte, da FGV Ibre.

    Duarte chegou a esse “valor” a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As mulheres – empregadas ou não – dedicam, em média, 21 horas semanais ao trabalho doméstico. Com base nesses dados, foi possível chegar nesse resultado econômico. Ou seja, se o “trabalho invisível” feminino fosse remunerado, o impacto no PIB seria superior ao do agronegócio, que, de acordo com o IBGE, varia entre 6% e 7% todos os anos.

    Invisível, mas bem palpável, o ato de cuidar aparece com destaque ao ser apontado como o principal motivo pelo qual as mulheres em idade ativa estão fora do mercado, revela a economista. Com base na Pnad, ela identificou que 47% não têm trabalho formal e, destas, cerca de 30% abriram mão da carreira para cuidar dos filhos ou familiares mais velhos, ou para se dedicar aos afazeres da casa. O mesmo motivo atinge apenas 3% dos homens. “São cerca de 13 milhões de mulheres que alegam não conseguir buscar emprego porque têm de se dedicar ao cuidado.”

        “Quando minha mãe adoeceu, imediatamente assumi. Claro que não seriam meus irmãos a largar a vida deles para cuidar dela”, diz mãe solo de três e paciente oncológica

    As consequências dessa divisão desigual são muito claras: até hoje, em pleno 2026, as mulheres recebem 20% a menos que os homens, quando desempenham a mesma função nas empresas. “É claro que, para eles estarem totalmente disponíveis, tem uma mulher que mantém a rotina doméstica”, pontua a economista.

    Uma pesquisa recente sobre juventude e trabalho da Fundação Itaú com o Datafolha e o Instituto Locomotiva revela que essa dinâmica vem se repetindo com a população mais jovem, evidenciando que pouca coisa deve mudar para a próxima geração. O estudo Juventudes e o Mundo do Trabalho revela que mais de mais de um terço das jovens de 16 a 29 anos não trabalham nem buscam emprego porque precisam cuidar de familiares (21%) e são responsáveis pelas atividades domésticas (15%). A situação se agrava entre as mais velhas, negras e com menor escolaridade. “Essa pesquisa revela uma situação estruturante da própria sociedade de atribuir à mulher o cuidado, mas que, infelizmente, está se reproduzindo na juventude”, avalia Carla ­Chiamareli, gerente do Observatório Fundação Itaú, responsável pelo levantamento.

    “Parece uma ode ao sacrifício feminino”, desabafa a mãe solo de três e paciente oncológica Juliana Lílian Coelho de Andrade. Apesar de uma sólida formação em Turismo e Gastronomia e ampla experiência profissional nas duas áreas, ela está afastada há quatro anos das cozinhas de restaurante, que tanto ama. Além de conciliar o cuidado dos filhos com o tratamento de um câncer raríssimo no cérebro, precisou acolher a mãe, também diagnosticada com a doença. “Quando minha mãe adoeceu, imediatamente assumi a obrigação. Claro que não seriam meus irmãos a largar a vida deles para cuidar dela. Nós somos educadas para sermos as cuidadoras da família.”

    Hoje, aos 46 anos, a chefe de cozinha ganha a vida na informalidade, com produção e venda de bordados e bolos por encomenda. Além disso, abre a casa uma vez por mês para oferecer jantares temáticos. “Tenho feito esse malabarismo para conseguir cuidar de todo mundo e obter alguma renda”, explica. Moradora de Petrolina, interior de Pernambuco, ela divide com milhares de mulheres da região as consequências de um deserto de assistência pública, marcado pela escassez de creches e escolas em tempo integral. “Não tem nenhum suporte para a mulher continuar a vida, sobretudo a profissional”, lamenta.

    Paralelamente ao abandono institucional que ainda empurra mulheres do País inteiro para longe do mundo do trabalho há ainda a assimetria cultural que tolera a ausência masculina no ato de cuidar. Depois de uma cirurgia para tentar remover o tumor no cérebro de Andrade, em 2022, os médicos deram a ela em torno de seis meses de vida apenas. À época, ela começou a “se organizar” para se despedir dos filhos. “Expliquei a eles, ainda pequenos, o que estava acontecendo e que eu poderia ‘ir embora’ em breve.” Mesmo diante dessa situação, nem o pai da mais velha, que sofre de má-formação e precisa de acompanhamento médico constante, tampouco o pai dos dois mais novos se prontificaram a dividir o cuidado das crianças. “Eles têm essa opção de priorizar a própria vida”, critica a mãe solo.

    Com o avançar da idade, as chances das mulheres de voltar para o mercado são ainda menores, revela um estudo da plataforma InfoJobs. Entre as 45+, o ­índice de desemprego é de 60%. Há um ano e meio em busca de uma nova vaga, a administradora de empresas Ivanilda Alves da Silva é a personalização da estatística. “Parece que, quando você passa dos 49, as portas se fecham e nos tratam como se tivéssemos 101 anos”, se queixa a profissional de 53. Apesar de uma sólida trajetória de mais de 20 anos na indústria e uma transição de carreira bem-sucedida para a área de produção cultural, ela tem percebido um olhar ­preconceituoso quando entrega o currículo.

        Homens ganham mais porque, para estarem totalmente disponíveis, há mulheres que mantêm a rotina doméstica

    Na tentativa de combater o estigma, a profissional tem feito uma série de cursos rápidos para se atualizar, principalmente com foco no uso de Inteligência Artificial. “Eu tenho experiência de mercado e entusiasmo para aprender. Ainda assim, o mundo corporativo parece desprezar o conhecimento das pessoas mais velhas.” Agora, porém, a busca por um novo emprego é atravessada também pela rotina de cuidados com a mãe idosa e o irmão portador de deficiência, que demandam muitos acompanhamentos médicos. Ao longo da carreira, explica, conciliar as duas jornadas não chegou a ser um empecilho. “Sempre tive chefes que entenderam minha situação. O problema agora tem sido o preconceito.”

    A resposta do Estado para aliviar esse quadro tão preocupante é o Plano Nacional de Cuidados, lançado em julho de 2015. “Quem mais acumula esse trabalho do cuidado não remunerado são as mulheres negras”, explica Joana Passos, secretária nacional de Autonomia Econômica e Cuidado do Ministério das Mulheres. “Uma menina de 12 anos já acumula mais horas de cuidado do que um homem adulto. Essa realidade nos leva a priorizar as meninas jovens, que serão nosso foco para desenvolver políticas públicas de capacitação”, explica.

    Base: 347 entrevistas com jovens que não trabalham e não estão procurando emprego
    Fonte: Pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, da Fundação Itaú com Datafolha e Instituto Locomotiva com 1.816 entrevistados de 16 a 29 anos

    Sob o entendimento de que o cuidar deve ser compartilhado entre Estado, empresas e famílias, o Plano envolve 20 ministérios e articula metas para ampliar creches, implantar escolas de tempo integral e criar lavanderias e centros multiuso comunitários. Parte das ações estratégicas também será desenvolvida em parceria com os municípios e estados. O objetivo é transferir esse fardo invisível para o âmbito público e devolver o tempo produtivo e a chance de qualificação para mulheres que hoje vivem no limite da exaustão.

    Garantir autonomia financeira é também uma forma indireta de dar mais segurança às mulheres. Passos revela que, entre as vítimas de violência doméstica, 66% não têm renda suficiente para romper a relação abusiva. “Isso significa que, se a gente possibilita autonomia econômica para elas, isso passa a ser uma condição para romper com o ciclo da violência.” Para a secretária, retirar o cuidado da esfera do sacrifício privado, tratá-lo como um dever coletivo, que precisa ser dividido entre a família, as empresas, a sociedade e o Estado, é o único caminho para que as mulheres possam assumir as rédeas de seus próprios destinos. 

    CARTA CAPITAL  

     

    Memória livre

     

     Memória livre

    A luta para impedir a demolição do antigo presídio do Brás usado pela ditadura e pelo Esquadrão da Morte


    Por Sérgio Barbosa

    Um prédio no Brás, em São Paulo, que guarda um verdadeiro patrimônio histórico e cultural recebeu, na quinta-feira 27, a visita do Conselho Nacional dos Direitos Humanos. Utilizado pela ditadura para prender perseguidos políticos – como José ­Genoino e Rita Lee – e, depois, aproveitado como locação para filmes como O ­Beijo da Mulher-Aranha, o antigo Presídio do Hipódromo tem hoje sua preservação ­disputada. Vendido pelo Fundo de Investimento Imobiliário do Estado de São Paulo para a Cury Construtora, em setembro de 2025, pelo valor de 23 milhões de reais, o imóvel de 4,5 mil metros quadrados está sob risco de demolição. Em maio, a Justiça de São Paulo suspendeu, via decisão liminar, o processo de demolição deferido pela prefeitura de São Paulo. Um recurso do governo do Estado contra a liminar foi negado em julho, enquanto um recurso do FIISP aguarda julgamento.

    Coordenada pelo conselheiro Carlos Nicodemos, a visita ocorreu a partir de demandas apresentadas por movimentos sociais e organizações da sociedade civil que defendem a preservação do local como espaço de memória e centro cultural, entre eles o Grupo Tortura Nunca Mais, o Coletivo Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça, o Núcleo Memória e o Instituto Vladimir Herzog. Além de avaliar a situação do espaço, a inspeção visa criar um relatório informativo para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. Após a notícia da venda do imóvel divulgada por este repórter em agosto de 2025, a assessoria da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) ajuizou uma ação popular em conjunto com ex-presos políticos e, ao lado do vereador Nabil ­Bonduki (PT), enviou requerimentos de tombamento do edifício para órgãos de preservação patrimonial. No fim de novembro, a Bancada Feminista de vereadoras do PSOL protocolou ação similar, objetivando suspender atos de alienação, transferência ou descaracterização do imóvel.

    Além de Paschoal e das organizações sociais, visitaram o local dois ex-presos políticos, Maurice Politi e Cida Costa Cantal, ambos ex-militantes da Ação Libertadora Nacional, a ALN, grupo de resistência à ditadura criado por Carlos Marighella em 1968. Signatário da ação e dos pedidos de tombamento, Politi não revia o local desde 1974, quando ficou preso por cerca de dois meses no presídio, após quatro anos de detenção em outras penitenciárias. “Era para eu ser liberado depois de cumprir minha pena, mas havia outro processo, de expulsão do País. Aqui ficavam os estrangeiros passíveis de serem expulsos”, explica. Ele afirma que não se recordava da extensão do espaço. “Não imaginava que era tão grande. Quando estávamos aqui, não tínhamos a dimensão do tamanho. Talvez o prédio tenha sofrido modificações, mas a essência da prisão continua e a gente sente isso quando passa por seus corredores.”

    Diretor do Núcleo Memória, Politi defende a preservação do imóvel. “É muito importante a gente conseguir que esse lugar se torne um apelo para as novas gerações, para se conhecer a história deste país. Muita coisa aconteceu nesse presídio, presos comuns estavam aqui, presos políticos e, depois, as crianças e adolescentes da Fundação Casa, o Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente. É um prédio que abriga a história da resistência e também dos conflitos violentos contra os jovens e periféricos que ocorrem até hoje.”
     

    Em oito décadas, o Presídio do Hipódromo abrigou presos comuns, presos políticos e adolescentes da Fundação Casa

    Advogada aposentada, Cida Cantal não visitava o local desde 1973, quando chegou egressa do Presídio Tiradentes, onde dividiu celas com a ex-presidente Dilma Rousseff. “Isto é um lugar de frio, de gritos, um lugar que você ouvia os presos comuns sendo torturados. É um lugar ao qual se volta e todas essas lembranças chegam de atropelo. Nunca mais tinha entrado aqui e confesso que estava apreensiva, porque a imagem que tenho daqui é a imagem que corresponde ao que é”, relata, emocionada. “As pessoas estavam entregues aos seus captores, entregues à repressão. Aqui foi usado pelo Esquadrão da Morte”, relembra. “Para mim, era um frio que não passava nunca. Talvez não fosse das paredes, mas de tudo que a gente vivia aqui.”

    O retorno ao Hipódromo mexeu com seus sentimentos, mas Cantal crê que as lembranças daquele período também fortalecem o espírito para que se lute pela preservação da memória. “Não se pode varrer o passado de um país. Acho que ele tem de ser discutido, revivido. E uma forma de manter esse passado é manter um símbolo, aquilo que foi usado pela ditadura para reprimir seus opositores.”

    Situado na Rua do Hipódromo, insuspeita via residencial no bairro do Brás, o prédio funcionou por oito décadas como posto de assistência policial, cadeia pública, presídio político, departamento de saúde do sistema penitenciário e, nos últimos anos, unidade da Fundação Casa. Desocupado há cerca de cinco anos, apresenta parte de suas instalações preservadas e uma grande área verde. Chamado de “depósito de presos”, devido às prisões em massa ocorridas sob o pretexto de averiguações, especialmente da população negra, o presídio foi também local de detenção de prostitutas e travestis, além de migrantes e estrangeiros. Durante o governo militar, recebeu dissidentes políticos a partir de 1973, ano de demolição do centenário Presídio Tiradentes.

    Testemunhos de ex-presos afirmam que a polícia utilizava o estupro como forma de tortura, ao passo que parte dos detentos era alvo do Esquadrão da Morte, milícia de extermínio comandada por Sérgio Fleury, delegado do DOPS-SP. Por suas celas passaram, entre outros, o ex-deputado federal José Genoino; o ex-ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Nilmário Miranda; a socióloga e ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci; o advogado e teatrólogo Idibal Pivetta; a jornalista e ativista social Amelinha Teles; e a cantora Rita Lee – presa, grávida, por porte de drogas em 1976.

    Com a Lei da Anistia, de agosto de 1979, o Hipódromo ficou restrito aos detentos comuns. Num dos períodos em que ficou fechado nos anos 1980, após uma rebelião provocada por 880 presos, o cadeião foi cenário do premiado filme de Hector Babenco O Beijo da Mulher-Aranha. Anos depois, o diretor ainda utilizaria o local, particularmente suas escadas, para gravar cenas de Carandiru. Após o fechamento, em 1995, ambientou novelas, videoclipes e uma peça de teatro. • 

    CARTA CAPITAL  

     

    Repressão S.A.

     

     Repressão S.A.

     "Espiões no chão de fábrica, listas de sindicalistas fichados como “terroristas”, recursos de grandes empresários financiando a repressão e até uma espécie de sucursal do Dops no ABC Paulista. Essas são algumas das principais revelações inéditas dos jornalistas Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli no livro Repressão Sociedade Anônima (Alameda Casa Editorial), lançado neste mês. A pesquisa aponta como empresas, instituições financeiras e a elite industrial contribuíram de forma decisiva para bancar o cerco a qualquer um que fosse contrário ao regime autoritário. "

    leia resenha de JAMIL CHADE

    Repressão S.A. – CartaCapital

    Votar em Lula é questão de salvação nacional

     

     Lula durante agenda em em São José do Rio Preto (SP)

    "Hoje quero conversar com vocês direta e confidencialmente sobre a emergência nacional que enfrentamos nas eleições de outubro."

    leia coluna de Paulo Nogueira Batista Jr 

    Votar em Lula é questão de salvação nacional – Paulo Nogueira Batista Jr – Brasil 247

    O Brasil parece mentira

     

     Tutty Vasques 

    Até pelo inesperado plano sequência de fatos insólitos que nos atordoa quase diariamente, muito se fala nas redes sociais sobre a criatividade sem fim de quem escreve o roteiro do Brasil. Sei quase nada de cinema, mas acho que o País que assistimos no noticiário não dá sequer um média metragem razoável. E o problema é um só: o roteiro é muito ruim! A história pode até ter bons momentos de suspense, mas a todo instante muda de rumo levada por personagens que entram e saem da trama sem explicação, protagonistas que desaparecem, mocinhos que viram bandidos – e vice-versa –, quase tudo parece mentira nesses dias que vivemos tentando entender onde fomos parar. Tomara que esse lugar seja só um beco escuro da Inteligência Artificial. O Brasil, no caso, talvez nem exista. Bora acreditar, pessoal!

    mais tutty vasques no PASMADO 

     

    Criolo Doido - Ainda Ha Tempo

     

    As pessoas não são más, irmão, elas só estão perdidas
    Ainda há tempo



    Cassandra Wilson - Skylark (Hoagy Carmichael)

     

    Oh skylark
    Have you seen a valley green with spring?
    Where my heart can go a journeying
    Over the shadows and the rain
    To a blossom covered lane


    terça-feira, setembro 08, 2026


     

    20 Years Later, the Long-Awaited Companion to a Classic Graphic Novel

     

     A dreamlike peach-toned illustration shows a girl wearing a feathered reddish-orange dress floating in the air with her hands on the back of what looks like an astronaut as she pushes him upward into a circle of outstretched arms, snouts, tongues and tails decorated with flowery tattoos. The girl, who sports a white flower in the tall, skinny bun on top of her dark neck-length wavy hair, has attached a similar white flower to the astronaut’s helmet.

     As Shaun Tan reminds us with his stand-alone follow-up to “The Arrival,” some truths are so enormous, so beautiful, they can be told only through myth. 

    HOMETOWN, by Shaun Tan


    G.K. Chesterton wrote that fairy tales “make rivers run with wine only to make us remember, for one wild moment, that they run with water.” It is a simple truth, but easy to forget: The great myths give us eyes to see our own lives anew, by gilding the familiar with the fantastic.

    It has been 20 years since Shaun Tan published his astonishing wordless graphic novel “The Arrival.” Equal parts atmospheric immigration allegory and surreal ride on a chiaroscuro carousel, the book instantly became a classic. Dauntless and strange, it shimmered like a new kind of myth — one whose primary language was not textual but visual.

    When a modern mind reads the word “myth,” it might be tempted to substitute the word “falsehood.” Sadly, this is part of our hangover from the Enlightenment. It seems natural to us to assume that the best way to understand a rose is by putting it under a microscope — rather than by writing (or reading) a sonnet. But as Tan reminds us with his new opus, “Hometown,” some truths are so enormous, so beautiful, so elusive they can be told only through myth.

    Hometown

    Hometown

    Save to your reading list:

    In “Hometown,” Tan doesn’t ask the pictures to do all the storytelling. With spare and clever prose, he poses some of the same transcultural questions he did in “The Arrival,” but from an inverted point of view.

    The first-person story follows a girl who lives in, to our eyes, a bizarre and unusual land yet feels right at home. She is a human being, but the reader immediately sees that her world is not human in size, color, type or shape; its scenery is fantastical and monstrous. In the book’s most delightful passages, her down-to-earth words playfully contrast with what the reader sees alongside them. (“Little sister” and “big sister” are quite the understatement!)

    ImageIn this illustration, divided into three panels, the girl narrator introduces us to some members of her family. In the top left-hand square, the text underneath an image that shows three intertwined reptilian creatures with claw-like fingers and open, sharp-toothed mouths (one gnawing on a stick) reads, “My three crazy brothers, always in a tangle.” In the top right-hand square, the text underneath an image of a small troll-like female creature standing in the palm of the girl’s hand with her right arm raised emphatically, as if to make a point, reads, “My little sister, who knows everything. Or so she keeps telling me.” And in the rectangle across the bottom, the text underneath an image of the girl, looking tiny as she stands next to a giant feathered foot with claw-like toes and a spiked heel (the only part of this creature that will fit into the frame), reads, “And my big sister. We don’t talk much anymore, but I still love her with my whole heart.”
    Image
    Another horizontal illustration shows the girl standing and facing us as she poses with her hands on her hips and a smile on her face in front of a motley crew of “monsters.” The text underneath it reads, “I also have a bunch of awesome friends.”
    Credit...Shaun Tan

    We don’t know how the girl got there, but the paradise of her extraordinary found family is disrupted when a colossal visitor falls through a “big hole” that opens up in the sky. For a few pages, this gargantuan robotic astronaut is stepping on buildings and, it seems rather innocently, messing everything up. The residents are surprisingly understanding of the megalodon’s blunders: When the intruder is swallowed by a cross between a whale and a giant squid, they feel sorry for the “stupid sky thing.”

    Image
    A darker-toned illustration shows the girl, with her back to us, carrying a breakfast tray full of squirming creatures down a grassy hillside toward the astronaut, who is standing on a ladder in the distance against an ominous sky while using a blow torch to repair what appears to be a giant version of himself (also with its back to us) seated on the hillside, head bowed and hands resting on its knees.
    Credit...Shaun Tan

    After the girl tells the “rudest joke” she knows in order to abort the whale-squid’s digestion, it becomes clear that the visitor is actually a humanoid-shaped spacecraft, from which a smaller humanoid astronaut steps out — comically, in the exact same shape as the spacecraft but at the scale of our young heroine.

    The story turns when he takes off his helmet and she is struck by his physical similarity to her. Face to face with another human being, she begins to ask questions: Who is my actual family? What is the meaning of home? Like an alien satellite, “Hometown” orbits these questions over and over again. Each pass gives us a new perspective on the terrain below.

    Image
    Two side-by-side portraits show, on the left, against a mystical, star-studded blue-green sky, the astronaut holding his helmet in his now glove-less hands and looking straight at us with a sincere-looking human face; and, on the right, against a darkly clouded sky, the girl holding a black lizardlike creature against her chest and looking straight at us with a furrowed brow and a troubled-looking face.
    Credit...Shaun Tan

    On one level, this book is a well-worn narrative of cross-cultural exchange.

    But “Hometown” goes far beyond calling us to a confident pluralism. With monsters and moon men, it asks us to consider where our real identity comes from. Is it something we can’t choose, like what we look like, or does true kinship come from the community that made us? The lure of this tale is that it takes these universal questions and gives us a new, kaleidoscopic lens with which to view the answers.

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    An earth-toned Madonna and Child-type portrait of a maternal figure, looking regal in a headpiece and earrings accented with reddish-orange gems and flecks of gold, faces us, her eyes closed and her head bent, as she wraps her five tentacle-like arms around the girl, who is coiled up in a fetal position in her matching reddish-orange dress, her eyes also closed and a sad, worried expression on her face.
    Credit...Shaun Tan

    Visually stunning as well, “Hometown” is a formal masterpiece, showcasing an artist at the height of his powers. Tan’s work is a deft push and pull of line and tone. Each image vibrates with glyphic drawing — yet at key moments those lines are submerged in lush washes of pure color. Imagine if the comic artist Moebius had been taught to paint by Caravaggio.

    As an artist who has admired Tan for many decades, I have always wanted him to take a swing at treating the typographical spaces in his books with the same lavish world-building as he does the imagery. While he doesn’t do that here, his signature gestalt of pictures, story and sparse words still makes this book the highest form of art.

    Image
    A final illustration shows the girl staring into what looks like a mirror as she sits on the back of a strange-looking creature amid rows and rows of other creatures that look just like it.
    Credit...Shaun Tan

    “Hometown” wraps the mundane things we all experience in a strange and wondrous veneer. In the foreground, it immerses its readers in mysterious objects, landscapes and creatures; yet, as with an exotic campfire, a familiar ache crackles in the background.

    “Gravity keeps me here,” our protagonist declares as the story closes. “Or love, which is kind of the same thing.”

    In an age when there are so many picture books helping young readers think about identity, “Hometown” brilliantly plants its feet on solid ground. This new myth reminds us that with the choice of love — a technology both ancient and ordinary — we can create belonging for ourselves.

     

    Retina: Bruno Veiga

     

    ALFREDO RIBEIRO

    Profissional forjado no calor do fotojornalismo, Bruno Veiga é hoje um artista consagrado da fotografia que não esconde em seus trabalhos resquícios do olhar sensível de fotojornalista, mesmo afastado há mais de duas décadas das redações. “Meu método de trabalho é simples, eu olho o mundo que nos cerca. Olho novamente. E olho mais uma vez, até achar o que eu não sabia que estava buscando.” Foi assim que nasceu o projeto da exposição O Estado das coisas (Lisboa, 2025), basicamente sobre as cicatrizes do fenômeno da gentrificação na capital portuguesa, onde Bruno vive desde 2018. Ruínas e tapumes, muito além das marcas aparentes de uma transformação urbana, revelam neste recorte de imagens cedidas ao Pasmado vestígios de um passado arrancado da paisagem, feridas sociais e afetivas, último estágio antes do apagamento total da vida como ela era. 

    veja a galeria no PASMAD

     
     

    The Mysterious and Lonely Final Decade of Yayoi Kusama’s Life

     The Japanese artist Yayoi Kusama wearing a fiery red wig and sitting in a wheelchair in a room covered in yellow polka dots.

     

     

     

     

     

     

     

     

    The Japanese artist spent the last seven years in isolation and declining health. Still, it was the most prolific chapter of her career.

     "Pumpkins were once a symbol of vitality for the artist.

    It was a bountiful comfort of Kusama’s childhood in Matsumoto, a Japanese city about 100 miles northwest of Tokyo that was relatively untouched by the devastation of World War II. Despite having eaten pumpkins to the point of nausea in her adolescence, by her own account, the artist maintained an attachment to them into adulthood. She produced enormous, bronze, polka-dot sculptures honoring them."

    read article by  

     

    Alcolumbre sentou


     

    LONDON


     

    Gloria Steinem – a life in quotes

     Gloria Steinem speaking into a microphone in 2016

    Throughout her career, she was known for her unfiltered honesty and from the 1960s forward, used her words to inspire and bring together women who also wanted to see a change in their lives.

    Here are some of her greatest quotes:

     ‘We badly need to raise our boys more like our girls’: Gloria Steinem – a life in quotes | Gloria Steinem | The Guardian

    Devastated by floods and overwhelmed by bodies, Nepalis weep for what remains of their home

     A man walks through mud carrying blankets
     
    "In an effort to speed up the identification exercise, local officials have adopted a macabre approach of simply asking people to go through pictures of the bodies and look for identifying features: a necklace, a wedding ring, a tattoo, a scar. Photos of those recovered have been placed on to PowerPoint slideshows, for relatives to sit patiently through, and have been uploaded to the Nepal police website. Outside the morgue in the capital, Kathmandu, photographs of the dead inside have been posted on the walls."
     
    read report by Hannah Ellis-Petersen 

    Devastated by floods and overwhelmed by bodies, Nepalis weep for what remains of their homes | Nepal-Tibet flood disaster | The Guardian

    Netanyahu sabia das intenções do Hamas de atacar

     



    João Koatz Miragaya

    Sim, ele foi informado por mais de uma fonte. Hoje uma matéria do Haaretz traz novidades sobre isso. Só pra poupar comentários: ninguém alega conspiração, ele está sendo acusado de irresponsabilidade e negligência.

    Os jornalistas Shlomi Eldar e Ruthy Yovel acabaram de publicar o livro “Reféns – 843 Dias de Abandono”. Eles tiveram acesso a informações sigilosas, de diversas fontes, e a mais nova é a de que Netanyahu foi avisado no dia 23/09/2023 sobre a intenção do Hamas (

    A reportagem sobre esse caso é muito longa, eu farei aqui um resumo.

    01/2023, logo depois de eleito, Netanyahu negociava a soltura de 2 reféns vivos e 2 corpos que estavam sob o domínio do Hamas em Gaza. As negociações se estenderam bastante,, mas houve um acordo em agosto: 30 presos palestinos soltos, entrada de gás natural, alimentos e materiais de construção em troca dos reféns e de uma udna (trégua) de longa duração. Os dois lados aprovaram, mas Netanyahu não levou à votação no gabinete.

    Sinwar perdeu a paciência em setembro, e disse ao intermediário (um palestino do Fatah) que tava fora do acordo, e que faria um terremoto em Israel. O intermediário levou a informação ao emir de Abu Dhabi, Mohammed Bin-Zayed, que não quis se meter a princípio.

    Sinwar disse ao intermediário que transmitisse suas palavras a Israel, de forma incisiva. Ele, então, no dia 15/09, procurou o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, que logo informou Netanyahu. O gabinete considerou aquilo uma fraude de Sinwar, e decidiu ignorar a informação.

    Aqui vem a parte mais importante: ao saber do desleixo, em 23/09, Bin-Zayed telefonou diretamente a Netanyahu e lhe transmitiu a mensagem. Netanyahu não se impressionou e, em uma conversa de 45 minutios, disse que estava tudo sob controle.

    Netanyahu optou por não contar sobre a ligação de Bin-Zayed para nenhum dos chefes das forças de segurança, nem para o ministro da Defesa.

    No dia 01/10, Ronen Bar insistiu para uma ação preventiva contra o Hamas, que não foi autorizada.

    Vale lembrar que há informações de que o chanceler egípcio teria avisado Netanyahu dos planos do Hamas, algo que ele também ignorou. Mas o que essa nova informação muda na história?

    Um oficial do alto escalão do Shin Bet disse que quando mais de uma fonte trazem a mesma informação, um sinal de alerta é ligado. Eles poderiam estar mais preparados. Ocultar o alerta dos especialistas é uma gravíssima irresponsabilidade.

    Isso tudo acontece menos de dois meses antes das eleições, justamente quando Netanyahu estava desenvolvendo em sua campanha um discurso que insinuava uma conspiração das forças de segurança contra ele, que teria acarretado no massacre de 07/10/2023.

    O jornalistas Shlomi Eldar e Ruthy Yovel acabaram de publicar o livro “Reféns – 843 Dias de Abandono”. Eles tiveram acesso a informações sigilosas, de diversas fontes, e a mais nova é a de que Netanyahu foi avisado no dia 23/09/2023 sobre a intenção do Hamas (

    A reportagem sobre esse caso é muito longa, eu farei aqui um resumo. 1. 01/2023, logo depois de eleito, Netanyahu negociava a soltura de 2 reféns vivos e 2 corpos que estavam sob o domínio do Hamas em Gaza. As negociações se estenderam bastante,, mas houve um acordo em agosto: 30 presos palestinos soltos, entrada de gás natural, alimentos e materiais de construção em troca dos reféns e de uma udna (trégua) de longa duração. Os dois lados aprovaram, mas Netanyahu não levou à votação no gabinete.

    Sinwar perdeu a paciência em setembro, e disse ao intermediário (um palestino do Fatah) que tava fora do acordo, e que faria um terremoto em Israel. O intermediário levou a informação ao emir de Abu Dhabi, Mohammed Bin-Zayed, que não quis se meter a princípio.

    Sinwar disse ao intermediário que transmitisse suas palavras a Israel, de forma incisiva. Ele, então, no dia 15/09, procurou o chefe do Shin Bet, Ronen Bar, que logo informou Netanyahu. O gabinete considerou aquilo uma fraude de Sinwar, e decidiu ignorar a informação.

    Aqui vem a parte mais importante: ao saber do desleixo, em 23/09, Bin-Zayed telefonou diretamente a Netanyahu e lhe transmitiu a mensagem. Netanyahu não se impressionou e, em uma conversa de 45 minutios, disse que estava tudo sob controle.

    Netanyahu optou por não contar sobre a ligação de Bin-Zayed para nenhum dos chefes das forças de segurança, nem para o ministro da Defesa.

    No dia 01/10, Ronen Bar insistiu para uma ação preventiva contra o Hamas, que não foi autorizada.

    Vale lembrar que há informações de que o chanceler egípcio teria avisado Netanyahu dos planos do Hamas, algo que ele também ignorou. Mas o que essa nova informação muda na história?

    Um oficial do alto escalão do Shin Bet disse que quando mais de uma fonte trazem a mesma informação, um sinal de alerta é ligado. Eles poderiam estar mais preparados. Ocultar o alerta dos especialistas é uma gravíssima irresponsabilidade.

    Isso tudo acontece menos de dois meses antes das eleições, justamente quando Netanyahu estava desenvolvendo em sua campanha um discurso que insinuava uma conspiração das forças de segurança contra ele, que teria acarretado no massacre de 07/10/2023.


    Photo of Road Runner Snagged by Coyote Shows That Cartoons Were a Lie

     

     

    Cartoons aren’t real.

    There. We hate to be the ones to break it to you. But it’s important to establish that rabbits aren’t wisecracking smart-alecks from Flatbush, there is no 12-year-old who can bend the four elements with his mind, and dogs don’t talk (no, not even to say “ruh-roh”).

    And, sometimes, the coyote catches the road runner.

    In the classic “Looney Tunes” cartoons featuring the Road Runner and Wile E. Coyote, which first appeared in 1949, the coyote is foiled again and again in his efforts to catch the puckish bird in the deserts of the American Southwest.

    But a photographer in the Chatsworth Nature Preserve in Los Angeles on Saturday captured a real-life image of something you would never see in that cartoon: a coyote who successfully nabbed a road runner, instead of falling from a cliff, getting hit by a train or having an anvil land on him.

    The photographer, Alexander deBarros, snapped the photo while out with a survey team from the San Fernando Valley Audubon Society for a monthly check of the ecosystem at the preserve, a 1,325-acre space in northwestern Los Angeles. (The photograph was reported by the Los Angeles TV news station KTLA.)

    There is no indication that this coyote effected the capture through the use of an Acme jet-propelled pogo-stick, Acme rocket-powered roller skates or Acme dehydrated boulders (“Just add water!”).

    Also, there were no reports of the road runner saying, “Beep, beep.”


    cartoon coyote chases road runner
    Gee, it looks as if he’s finally going to catch him this time.Credit...Warner Bros, via Everett Collection

    While the image proved that coyotes do sometimes come out on top against road runners, it’s not a common occurrence. “It is considered very rare for a coyote to catch a road runner,” said Scott E. Henke, a professor at the Caesar Kleberg Wildlife Research Institute at Texas A&M University, Kingsville.

    Road runners can run about 20 miles an hour and are agile, he said. “Physically they can outrun a coyote,” he said, and they “can fly up into tree branches to escape attacks.”

    Mr. deBarros said in an interview that he initially thought the prey might be a ground squirrel. “When we confirmed that it was, in fact, a road runner in that coyote’s mouth, we freaked out a little bit,” he said. In 17 years of birding, he said, it was the first time he had seen the cartoon antagonists together.

    When Mr. deBarros spotted the coyote, it already had the road runner in its mouth. He did not see any chase or kill.

    Dr. Henke said this particular road runner might have been caught because it was distracted hunting its own prey, or perhaps it had been hit by a vehicle and was scavenged by the coyote.

    Scavenged? Maybe Wile E. didn’t catch the road runner after all.

    Another coyote expert, Stanley D. Gehrt, a professor of wildlife ecology at Ohio State University, agreed that the scavenger theory could be true. “But I have learned to never underestimate coyotes,” he said. “They can do anything, even catch a road runner.”

    In an odd coincidence, Mr. deBarros’s father, Brian Mainolfi, is an animator who worked with Chuck Jones, a creator of the coyote-road runner cartoons, on the 1994 cartoon “Chariots of Fur.

    Mr. Jones, who died in 2002, once said he got the idea for the coyote character from a travel book by a classic novelist. “I first got interested in the coyote as an animal while perusing Mark Twain’s ‘Roughing It’ at the age of 7,” he said in a 1989 interview with The New York Times. “I thought of it as a sort of dissolute collie. And actually, that’s just about what a coyote is! No one saw it more clearly than Mark Twain.”

    The cartoon has been back on the radar since the American release last Friday of the movie “Coyote vs. Acme,” in which the coyote sues the Acme Corporation for its defective products.

    (It is fictional.)

    (Oh, and by the way, cave men didn’t propel cars made of rocks with their feet, either.)

    THE NEW YORK TIMES 

     

    Felipe Cordeiro "Ela É Tarja Preta"

     

    Quando ela chega de bandeja, é muito sem noção
    Abala o baile, em cada cara o queixo cai no chão
    Quando ela surge de lambuja dentro do salão
    Nem o doutor percebe tanta contra-indicação


    São Roque


     

    Dia da Amazonia

     
    JBOSCO 

     

    What does a woman want?

     

    Jeffrey St. Clair > 

    + An exasperated Sigmund Freud famously (or notoriously, depending on your point of view) asked, “What does a woman want?” Having read most of Freud, I never ran across this passage and have long been curious about the origin of the quote. It didn’t sound like something the Viennese know-it-all would commit to writing. And now I know, thanks to fellow Hoosier Emily Eakin’s fascinating book, The Frenchmen…or My Life in Theory. The full quote goes like this: “[A question] that has never been answered and which I have not yet been able to answer, despite my thirty years of research into the feminine soul: What does a woman want?” To be clear, Freud never wrote this. Rather, it was recorded in the diary of one of Freud’s most famous patients and students, the Parisian psychoanalyst, Marie Bonaparte, great-grandniece of the wild Corsican marauder and one of the people who yanked Freud out of Vienna before the Nazis could nab him and send him to the death camps, as they did to two of his sisters.

    Even as recorded by Bonaparte, Freud’s question, long taken as evidence of his misogyny, may not refer to all women, but to “a woman” in particular, Marie Bonaparte, after she informed the aghast advocate of the “talking cure” that she had twice undergone surgeries to move her clitoris closer to the opening of her vagina in order to help her achieve a satisfactory orgasm. Bonaparte must be something of a Patron Saint to the women who run with billionaires, now eager to get “designer vaginas,” through the surgical magic of labiaplasty and vaginoplasty. Most American men these days, having learned the little they know of female anatomy from watching Andrew Tate videos, have enough trouble locating the clitoris and the G-Spot without them moving around.

    Speaking of the merger of Eros and Thanatos, the self-described “human Barbie” announced last month she was getting her “puff tightened” in a procedure using fat from human cadavers, which will give new meaning to the Stones’ notorious lyrics in Start Me Up (“You, you make a dead man cum.”)

    COUNTERPUNCH  

    Arne Domnérus, Bengt Hallberg, Georg Riedel, Egil Johansen & Lars Erstrand - Barbados

    Cassandra Wilson - Tupelo Honey (Van Morrison) - in memoriam

     

    She's as sweet as tupelo honey She's an angel of the first degree She's as sweet as tupelo honey Just like honey from the bee


    segunda-feira, setembro 07, 2026

    P J Harvey - All Souls

     

    Only in a scrid of fleshHooked upon the hart's-tongue fern,And only by her own goosefleshKnows she somewhen he'll return.

    domingo, setembro 06, 2026

    Dia do Irmão


     ARTEVILLAR

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    A realidade é uma verdadeira Alucinação

     

    Alucinação, de Belchior, é reflete desilusão política, comportamental e libertária dos anos 1970 - Cicero O. Neto/Folhapress 

     "O disco Alucinação é para ser ouvido inteiro, de cabo a rabo. A ordem das músicas constrói um roteiro elaborado e cria um contexto maior. Os arranjos, pensados de forma a construir uma unidade narrativa, ajudam a criar uma atmosfera que permeia todo o disco. Uma experiência completa.

    Tudo isso contribui para que o ouvinte embarque numa viagem pela desilusão política, comportamental e libertária que acometeu a geração dos anos 1970 e que ecoa em ondas até hoje. O discurso, coeso, é encadeado faixa a faixa, desde a primeira até a décima."

    leia analise de Renato Terra e Rodrigo Sampaio 

    A realidade é uma verdadeira Alucinação - revista piauí

    Alejo Carpentier

     

     Flavio Pinheiro

    A rica plumagem do estilo e a assombrosa erudição do cubano Alejo Carpentier (1904-1980) estão disponíveis de novo. Num momento em que Cuba está assediada por pressões imperiais, saudosas de cassinos e hotéis que rescendiam a luxo cafona e predatório, é oportuno lembrar dele. Filho de pai francês e mãe suíça, Carpentier foi para Cuba com dois anos e lá decantou para sempre sua alma. Em agosto de 2024 a Editora 34 lançou “A Cidade das Colunas” (tradução de Samuel Titan Jr), breve e cativante ensaio motivado por fotos esplêndidas de Havana do italiano Paolo Gasparini, hoje com 92 anos. “No princípio foi o mestre de obras, o homem do prumo e da argamassa”, diz Carpentier logo na abertura. E a arquitetura que veio depois das primeiras edificações corresponde a variada fisionomia urbana e humana de Havana. “Desde sempre a rua cubana foi buliçosa e falastrona, com sua litania de pregões, seus camelôs intrometidos, seus confeiteiros anunciados por sinetas maiores que o próprio tabuleiro de doces...” A rua de alegria mestiça o tempo todo conversa com inconfundíveis marcas arquitetônicas. Uma arquitetura marcada por tantas colunas, mas também por sombras e penumbras, defesas da intimidade e anteparos para o sol.

    Mas Carpentier está de volta também com “O Recurso do Método”, caprichada reedição com nova tradução (André Aires) lançada pela Editora Pinard em dezembro de 2025. “Recurso...” inscreve-se na linhagem de romances latino-americanos sobre ditadores, como “Eu o Supremo”, do paraguaio Augusto Roa Bastos, “O Senhor Presidente”, do guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ou “O Outono do Patriarca”, do colombiano Gabriel Garcia Márquez. Neles o que parece anedótico ou caricato é simplesmente veraz. O ridículo premia tiranos. O ditador de Carpentier, com manhas e ares aristocráticos dialoga com “O Discurso do Método”, de René Descartes (1596-1650), um dos fundadores da filosofia moderna. Mas apenas para malversar seus princípios e encobrir com este verniz malvadezas e violentos arroubos autoritários. O livro começa com preguiçoso despertar... “mas eu acabei de me deitar. E já toca a campainha. Seis e quinze. Não pode ser. Sete e quinze, talvez. Mais perto. Oito e quinze. Esse despertador será um prodígio da relojoaria suíça, mas seus ponteiros são tão finos que quase não se veem. Nove e quinze. Também não. Os óculos. Dez e quinze. Isso sim”. Ditaduras não dispensam comodidades das elites em que se espelham. 

    Para ler mais Carpentier: “O Reino deste Mundo”, “O Século das Luzes”, “O Cerco” e “Concerto Barroco”. Livraços.


     ILUSTRAÇÃO: LOREDANO 

    'He was a violent socialist': How Superman started out as a radical rebel

     Alamy Superman on cover of first ever issue of the Action Comics in 1938 (Credit: Alamy)

     "Some of the people who are roughed up by this boisterous outlaw are pistol-packing racketeers, but usually they are a less glamorous brand of villain – a domestic abuser, an orphanage superintendent who is cruel to children – and the majority are so wealthy that they don't need to rob banks: there is the mine owner who skimps on safety measures, the construction magnate who sabotages a competitor's buildings, the politician who buys a newspaper in order to turn it into a propaganda sheet. Rather than being a typical costumed crime-fighter, then, the Superman of 1938 was a left-wing revolutionary."

    read article by NICHOLAS BARBER

    'He was a violent socialist': How Superman started out as a radical rebel


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